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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Piratas do Caribe - A maldição de Salazar


Piratas do Caribe - A Maldição de Salazar (Pirates of the Caribbean - Dead men tell no tales, 2017) veio provar que o tema ainda não se esgotou. Para sempre capitaneados por Jack Sparrow (criação inspiradíssima de Johnny Depp), a saga tem grandes chances de continuar nas telonas após a chegada de novos personagens.

Baseando-se na história desenvolvida nos três primeiros longas - em sua maior parte - o roteiro amplia a mitologia envolvida: agora o objeto de desejo de Henry Turner (Brenton Thwaine, de Deuses do Egito), filho de Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swan (Keira Knightley), é o tridente de Poseidon. Não, você não leu errado. Mitologia grega em Piratas do Caribe?! Dá samba, sim.


Na busca pelo artefato, que teria o poder de acabar com todas as maldições - e libertaria seu pai para sempre do Holandês Voador - Henry vai encontrar ajuda onde menos espera: depois de sobreviver ao encontro com o amaldiçoado Capitão Salazar (Javier Bardem, todo trabalhado no CGI), ele precisa encontrar Jack Sparrow para, com sua bússola mágica, encontrar o que mais deseja.

Obviamente, Jack está em apuros. A sequência inicial, aliás, que mostra como ele foi parar na cadeia (de novo!) é bastante divertida e grandiosa - embora "meio pastelão" e "megalomaníaca" sejam melhores adjetivos. Condenado à morte junto com Carina Smyth (Kaya Scodellario, de Maze Runner), uma moça estudiosa de ciências e justamente por isso considerada bruxa, é salvo no último minuto por Henry e sua antiga tripulação. Com a promessa dela de que sabe encontrar qualquer lugar no "mapa que nenhum homem pode ler" e com o perigoso Salazar em busca de vingança, o capitão Jack Sparrow vai  - com perdão do trocadilho - mergulhar de cabeça em uma nova aventura.


Mais empolgante que as sequências anteriores (os longas da franquia não conseguiram chegar nem perto do brilhantismo e divertimento do primeiro, A Maldição do Pérola Negra), o longa peca pelo excesso: que a Disney sabe usar CGI (efeitos especiais digitais), todo mundo já sabe - eles só precisam aprender quando não usar. Rejuvenescimento de atores consagrados parece ser a onda do momento (desculpem, não consigo evitar os trocadilhos), mas nem precisava. O visual do fundo do mar é lindo e assustador como deve ser, mas a cena se arrasta por clichês intermináveis. Menos é mais, gente.

Outro tiro no pé é o novo par romântico, que tenta refazer a química de Will e Elizabeth, porém sem sucesso. Mas os fãs ansiosos por ver as novas estripulias de Sparrow não ficarão decepcionados: o desfecho da trama e a sequente cena pós-créditos deixam ótimas "pulgas atrás da orelha" - que coelhos eles vão tirar da cartola se houver uma nova sequência?

O mérito de A vingaça de Salazar foi resgatar a esperança de que a franquia estava fadada ao fim. Apesar do desempenho irregular, voltei a querer esperar um novo filme dos piratas - e vamos ver até onde esse novo fôlego vai durar.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Rei Arthur - A lenda da espada


Esqueça tudo o que você sabe sobre o lendário rei bretão que tirou uma espada de uma pedra e tornou-se o rei mais famoso da História (embora seja bem provável que ele nem tenha sido rei, se realmente existiu). Rei Arhtur - A lenda da Espada (King Arthur, 2017) resolveu brincar com a lenda e criar uma nova gênese para o mito.

Com o reino sendo invadido por um grande feiticeiro maligno (e criaturas sinistras magicamente dominadas por ele) e que já havia destruído todos os outros reinos por onde passara, o rei * (Eric Bana) precisa ir a extremos para defender seu povo e sua família. Arriscando a própria vida, usa apenas a coragem e a mágica espada Excalibur para eliminar a ameaça. Tendo derrotado o inimigo, ele achava que conseguiria trazer paz a seu povo. Mas não foi bem isso o que aconteceu depois.

O irmão do rei, Mordred (Jude Law), parece insatiafeito com o desejo de paz do irmão. Acaba tramando contra o rei - que ainda tenta fugir, mas pouco pôde fazer contra um inimigo ainda mais poderoso que o feiticeiro. O bebê é o único que sobrevive, e acaba sendo criado por prostitutas na parte pobre do reino. E é lá que Arthur (Charlie Hunam) cresce e aprende tudo sobre sobrevivência. 

Alheio aos mandos e desmandos do rei, só quer saber de manter suas meninas a salvo. Porém, quando a maré baixa milagrosamente e deixa a espada encravada na pedra exposta, os dados do destino começam a rolar. O rei Mordred sabe do poder da espada, e que o herdeiro dela pode ser o único a impedir suas ambições. Todos os homens agora serão testados até que seu sobrinho se revele - e ele possa finalmente se livrar da competição. Mas Arthur não está sozinho contra a fúria do rei: seus amigos e outras ajudas inesperadas vão levá-lo a um encontro com a verdade e a magia.

A produção caprichada e repleta de efeitos especiais tem defeitos muito gritantes, mas uma coisa se sobressaiu dessa confusão de ideias equivocadas: desde o início fica claro para o espectador que o longa é uma grande brincadeira com a lenda. Portanto, se você não estiver esperando uma versão fiel da lenda vai conseguir se divertir. O diretor Guy Ritchie já provou que gosta do estilo ação ininterrupta e cenas épicas de batalha em slow motion (basta ver seus filmes de Sherlock Holmes com Robert Downey Jr. e Jude Law nos papeis principais pra ter uma noção), então abrace a loucura e divirta-se com elas. Sério, não tente levar o filme a sério.

Fahas graves no roteiro deixam muitos pontos sem nó, e o uso da magia fica barbaramente comprometido: sabe aquele "mas se podia fazer isso tudo, por quê não fez antes?!" que irrita a gente? Tem aos montes. Isso sem falar que a maga (que nem nome tem, coitada) é uma mistura de Merlin e Morgana que não deu certo, mas tá lá porque... Bem, ainda não sei. Achei que seria o par romântico do Arthur, mas nem isso ficou resolvido. Aliás, as mulheres nesse filme mal servem para os papeis de intrigueiras e beldades que geralmente filmes de guerra reservam para personagens femininas. Simplesmente parece que não sabem o que fazer com a mulheres. Muito estranho.

Soluções previsíveis acabam arruinando algumas imagens muito bonitas produzidas, além do excesso de efeitos especiais: às vezes a confusão é tanta, com fumaça e poeira, que nem dá pra ver os golpes em slow motion. O elenco também deixa muito a desejar - o único que eu gostei atuando foi Bana, em sua micro (e esquisita) participação. 

Como disse, procure esquecer isso e se divertir - até porque tem coisa à beça pra isso. Desde piadinhas bem colocadas ao tom de novela mexicana que a produção toma de vez em quando, é bem divertido - e creio que tenha sido intencional. Pessoalmente, adorei reconhecer Aidan Gillen (de Game of Thrones) no elenco e brincar de ficar de olho nele esperando o momento em que ele trairá o rei - uma vez Mindinho, sempre Mindinho, né?. No fim, Rei Arthur - A lenda da espada é uma diversão esquecível que pode irritar aos mais fervorosos fãs da lenda original. Eu escolhi me divertir e tomar um sorvete depois.

terça-feira, 16 de maio de 2017

O Rastro


Filme brasileiro de terror, a gente logo associa a Zé do Caixão, ícone-mor do gênero no país. Então, todos os outros filmes nacionais deveriam ser do mesmo estilo, certo? Errado. O Rastro (2017) é uma ótima tentativa de fazer algo diferente pelo terror nacional. Buscando uma estética mais parecida com o terror japonês e investindo numa trama que mescla suspense e sobrenatural, o longa de J. C Feyer não decepciona - porém, tampouco surpreende.

Na trama, João Rocha (Rafael Cardoso) é um jovem médico, casado com Leila (Leandra Leal) e prestes a ser pai. Seu trabalho agora é mais burocrático, trabalhando diretamente com a Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. O hospital onde ele fez residência e onde seu amigo, Heitor (Jonas Bloch) trabalha, está prestes a ser fechado por conta da decadência: praticamente insalubre, funciona ainda graças à compaixão do doutor - que não quer deixar de atender à população.

Leila (Leal): grávida, pouco pode fazer para ajudar o marido João (Cardoso)

Com a decisão do secretário geral, e amigo de João, Ricardo (Felipe Camargo) em não aceitar mais nenhum paciente e fechar a unidade, João tem que lidar com um dilema: Júlia de Sousa (Natália Guedes) fora internada sem autorização por Heitor, como uma medida de impedir o fechamento do hospital. Apesar de aceitar a nova paciente, o mandato para as transferências de pacientes ocorre em meio a muita confusão. É quando João percebe não há registros de que a menina fora transferida que a ação começa.

O corredor guarda mais segredos do que João (Cardoso) consegue lidar
O espectador acompanha o desespero de João para obter informações, e descobre que a trama é muito maior que só o desaparecimento da pequena Júlia. Política, briga de egos, alucinações sobrenaturais, mortes - a espiral de desgraças só aumenta. Tudo está misturado, e a carga é forte demais para o jovem médico. Nesse ponto, o filme acerta em cheio: focar na visão parcial e confusa do personagem ajuda no processo de duvidar do que se vê - e, consequentemente, no impacto do desfecho.


Fantasmas e hospitais abandonados, receita certa para sustos

Porém quem estiver mais atento (ou for muito fã de filmes do gênero) já vai ter sacado o “pulo do gato” lá no início. E, para piorar, o argumento usado para justificar uma morte importante é plausível, mas improvável - e a gente sai com a impressão de que não funcionou bem essa “licença poética”, apesar de ter boa intenção e ser uma justificativa para a última cena. Mas o que mais incomodou mesmo foi o som: a gente já espera que venha aquele barulho alto no momento de susto para nos fazer pular da cadeira, mas ele estava extremamente alto (ao ponto de incomodar ao invés de assustar) e usado em algumas cenas despropositadas. Ou seja, menos seria muito mais nesse caso.

Ainda assim, não tiro o mérito desse filme: um esforço coletivo de produção, direção e elenco em fazer uma obra de um gênero muito pouco explorado no Brasil, e com um pano de fundo tão atual quanto o que vivemos atualmente no Estado, vale e muito o ingresso do cinema. 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Alien - Covenant


Um meio termo entre Alien - O oitavo passageiro (1979) e Prometheus (2012), a sequência desse último é um bom híbrido - o que é até irônico, diga-se. Mantendo o mesmo clima de suspense do primeiro - e maravilhoso - longa, comete alguns tropeços bobos no caminho (como o seu predecessor), mas o resultado final é positivo. 

Criador e criatura: como "nasceu" David (Fassbender)

O filme começa com uma interessante sequência, onde criador (Guy Pearce) e criatura (o androide David, interpretado por Michael Fassbender) dialogam sobre a criação, a vida e tudo mais. Depois o filme começa de verdade. E aqui temos a nave colonizadora Covenant a caminho de um planeta com grande potencial para ser uma nova Terra. A bordo, sob os cuidados de Walter (Fassbender) - uma versão aprimorada de David - estão a tripulação da nave e 20 mil colonos, todos em hibernação. 




Ao chegarem ao misterioso novo planeta, com uma composição bem parecida com a da Terra, eles partem para explorar o lugar. Logo encontram a nave de onde partira o sinal, e descobrem se tratar da Prometheus, a nave em que a dra. Elisabeth Shaw (Noomi Rapace) havia partido para explorar o espaço. Porém alguns membros da equipe exploradora começaram e demonstrar os primeiros sinais de infecção por alguma coisa. Decidido a fugir do planeta o quanto antes, eles partem para o módulo de escape, mas o estrago já está feito. Enquanto esperam pela ajuda da Covenant no resgate dos sobreviventes, o grupo é novamente atacado por aliens - e seriam dizimados não fosse uma ajuda misteriosa.

Ainda sem saber se podiam confiar naquele salvador, precisam segui-lo. Ao chegarem na casa dele, descobrem sua identidade: ele é David, que havia sobrevivido ao desembarque naquele planeta - diferente da dra. Shaw. O misterioso David não parece nada confiável, e a equipe tem pressa em sair dali. E eles estão cobertos de razão.

Daniels (Waterston) e Oram (Crudp): duelo de liderança

Alien - Covenant tem em seu ponto forte manter o espírito intrigante do primeiro longa da série, e claro, no elenco principal. A escolha de Katherine Waterston (a Tina Goldenstein, de Animais Fantásticos e Onde Habitam) para o papel de Daniels é acertadíssima: a heroína improvável é forte e corajosa, embora não pareça; Fassbender dá o tom certo de personalidade robótica a dois diferentes androides (e a gente consegue distinguir quem é quem na tela), Crudup cria um capitão oscilante entre a responsabilidade e a fé bastante interessante. O alien em si está ainda mais interessante: quase humano e completamente bestial, supernojento e esperto até demais. Os fãs não devem se decepcionar. O que me irrita são os clichês.

Daniels (Waterston): ótima escolha para protagonista
A gente já sabe que a tripulação é grande para ir morrendo e deixar só os verdadeiros protagonistas vivos, mas né? Bem que podia haver uma variação na forma como eles são eliminados. Se o cara sai de perto do grupo, já sabemos que não vai sobreviver. Outra coisa que achei meio improvável é a equipe inteira ter ido explorar o planeta sem roupas especiais de proteção. Parecia que estavam indo, sei lá, pra um safári ao invés de irem explorar um planeta desconhecido. Mas ok, a gente deixa passar. 

O nascimento do alien: angustiante, como no primeiro longa

Há bons momentos de alívio cômico e muita homenagem ao longa original, o que torna o filme muito agradável - apesar de que, convenhamos, o tema não possa ser definido como relaxante. No fim, o resultado é megapositivo: Covenant fez juz à franquia a qual pertence, e deixa um intrigante gancho para sua sequência. Só nos resta esperar impacientes para ver o que vai acontecer.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Guardiões das Galáxias - Vol. 2


Guardiões das Galáxias - Vol. 2 (The Guardians of The Galaxy Vol. 2, 2017) tem um estilo diferente do primeiro, mas mantém as mesmas boas características que garantiram o sucesso do primeiro longa: visual estonteante, milhares de referências, elenco afinado e personagens cativantes - tudo isso temperado com muito bom humor e uma carga extra de emoção e sentimentos.

Drax (Bautista) enfrentando o monstro: sequência inicial alucinante
O longa começa já com bastante adrenalina, numa sequência alucinante (divertida, e fofa também) do grupo combatendo um alienígena asqueroso enquanto protegem Groot (voz de Vin Diesel) - isso durante os créditos de abertura! Depois compreendemos que eles estão, na verdade, trabalhando: defendem a fonte de energia dos Soberanos em troca de recompensas. No caso, o pagamento tem a ver com Gamora (Zoe Saldanha): ela decide resgatar Nebulosa (Karen Gillan) para prendê-la por ter ajudado o vilão Ronan (Lee Pace) a quase destruir Xandar no primeiro longa. Mas as coisas começam a dar errado quando Rocket (voz de Bradley Coooper) decide roubar algumas dessas baterias - o que é considerado uma ofensa gravíssima por Ayesha (Elizabeth Debicki), a Sacerdotisa e líder do povo Soberano.
Os Guardiões com Nebulosa (Gillan) refém e a Milano destruída
Ela agora deseja a punição dos traidores, e ordena a perseguição e morte dos Guardiões - porém eles receberão uma ajuda inesperada. Uma nave espacial estranha os ajuda a fugir da perseguição implacável, e logo descobrimos quem os salvou: o homem se identifica como Ego (Kurt Russel), e revela ser o pai de Peter Quill (Chris Pratt). Com a nave completamente destruída, não resta alternativa aos Guardiões: enquanto Rocket fica para reparar a Milano e cuidar de Nebulosa e Groot, Gamora e Drax (Dave Bautista) seguem com Ego e a estranha Mantis (Pom Klementieff) até o planeta de origem dele.

Rocket (Cooper) e Yondu (Rooker) andando juntos?
A paz temporária, porém, durará pouco. Yondu (Michael Rooker), o saqueador que sequestrou Peter da Terra, está de volta ao jogo - procurado pela Soberana para acabar com os Guardiões, ele busca também recuperar seu prestígio perante seus homens e a classe saqueadora. Ele já não é mais o mesmo, e essa pode ser sua única chance de recuperar seu prestígio e sua  reputação - e ele parece estar disposto a tudo para ser bem sucedido. Além disso, apesar de Peter estar encantado com as descobertas sobre seu pai e as maravilhas que ele lhe mostra, Gamora sente que há algo de errado no ar - mas quando descobrir o que é, pode ser tarde demais.

Peter (Pratt) e Ego (Russel): quando a esmola é demais...
Mais do que um filme de super-herois, Guardiões das Galáxias - Vol. 2 é um filme que fala sobre relações familiares em todos os níveis. Diferente dos outros de seu gênero, a ação e a trama do arco maior da Marvel (todos sabem que os filmes lançados até agora são peças de um quebra-cabeças gigante, partes de uma grande e única estória, né?) ficam em segundo plano. O fato deles serem seres desgarrados, um bando de excluídos (um tradução bem rasa de outcasts) que se tornam mais do que um grupo de defensores do universo é o foco principal - assim como em uma verdadeira família, todos estão o tempo todo preocupados com o bem-estar do outro, mesmo que não saibam demonstrar isso.

Mantis (Kermentieff) e seu curioso poder empático rendem boas risadas
O diretor James Gunn abusa do bom humor quase infantil (aliás, quase todos os personagens tem algo que nos lembra os humores infantis: a teimosia, a inocência, a irresponsabilidade, o medo do abandono) que nos leva a refletir sobre temas bastante pesados, como a definição de família e suas intrincadas relações, com mais leveza. O destaque é fica no ótimo desenrolar da subtrama entre as irmãs Nebulosa e Gamora e no emocionante (e até surpreendente) peso que Yondu ganha nesta sequência. O roteiro, no entanto, poderia ser mais enxuto justamente nesse ponto: em alguns momentos, especialmente na trama principal de Peter e seu pai, nós já sabemos o que vai acontecer e esperamos a ação acontecer. De forma alguma isso arruína o filme; pode ser que alguns momentos soem meio piegas - mas a gente releva porque, veja só!, é isso o que uma família faz.

Nebulosa (Gillan): destaque para a relação turbulenta entre as irmãs alienígenas
Com mais drama e menos ação alucinante que o primeiro, Guardiões das Galáxias - Vol. 2 promete agradar a todos os públicos: tem humor e aventura nas doses certas, e o personagens que amamos estão ainda mais cativantes e divertidos. Se você já adorava o Baby Groot ao fim do primeiro longa, prepare-se para morrer com as fofuras (e trapalhadas) dele aqui! Ah, e não saia do cinema tão cedo: são 5 (cinco!) cenas pós-créditos, e elas trazem informações divertidas relativas às consequências desse longa e prometem muitas novidades para o futuro - tem mais alguém aí sofrendo de ansiedade para o novo filme d'Os Vingadores?.

sábado, 8 de abril de 2017

Além das palavras



Eu precisei de alguns dias refletindo sobre Além das palavras (A quiet passion, 2016), filme de Terence Davies sobre a vida da poetisa americana Emily Dickinson. Eu pouco conhecia de sua história e obra, e uma pesquisa após a sessão me disse que alguns fatos sofreram pequenas alterações na versão para o cinema. Mas nem por isso o longa perde seu impacto.

A jovem Emily (Emma Bell) estuda em uma escola religiosa e se nega a seguir uma doutrina de fé. Uma rebeldia sem tamanho para uma moça do interior dos Estados Unidos no século 19, ferozmente contrastante com sua figura miúda e pálida. Aceita novamente em casa, entende-se o porquê: a educação refinada a que o pai, advogado e político, fazia questão de dar aos três filhos, dava liberdade questionadora e base sólida para uma fé cristã nada fanática.

Emily (Bell): rebeldia controlada

Vinnie (Rose Williams/Jennifer Ehle) e Austin (Benjamin Wainwright/Duncan Duff), irmãos de Emily, são tão inteligentes e obedientes a Deus e a seus pais quanto a jovem. Uma família onde as mentes eram tão afiadas quanto as maneiras eram polidas. Todo esse ambiente, somados à extrema opressão feminina típica da época, fizeram de Emily uma figura única. A alma vivaz em um corpo frágil, a opressão fortemente combatida - embora ela raramente perdesse a compostura, a reclusão voluntária para se proteger contra o mundo tão brutal. Compreender esse ambiente é vital para acessá-la.

A bela fotografia nos imerge nesse universo: o acolhimento e segurança da grande casa, a melancolia quase palpável do entardecer, a solidão criativa das madrugadas, o passar do tempo e o lento sufocamento daquele espírito livre. A direção delicada de Davies trata com carinho e respeito a figura de Emily, mesmo quando expõe a dor e desespero que ela, reservada, guardava para si. Meu único porém é que o tom ligeiramente teatral imposto aos atores me incomodou um pouco, mas isso de forma alguma atrapalha a narrativa.

Cynthia Nixon faz um grande trabalho interpretando a escritora

A poesia tocante de Emily permeia todo o longa, ora em sua narrativa, ora em sua fala - principalmente para nos fazer entender que ela retratou sua alma naqueles pequenos pedaços de papel que costurava em silêncio. A passagem do tempo também é importante pois mudanças significativas ocorrem nos personagens que a rodeiam e a sensível Emily (agora interpretada por Cynthia Nixon) reage a essa nova dinâmica. O lento espiral de dor e desespero que a envolve até seus últimos dias é belo e triste. Mais do que apenas uma biografia, o filme é um homenagem à poetisa que quase não conhecemos.

Por pouco seu verdadeiro trabalho nunca chegou ao grande público, e agora há uma boa oportunidade para que mais pessoas se interessem pela escritora. Da dor e da vida simples, da solidão e da análise consciente de sua condição de mulher na sociedade em que se emcontrava, do desespero e do medo da morte, do desamor, nasceu uma das mais belas e puras almas - e que bom que ela pode transbordar isso até nós.

quinta-feira, 30 de março de 2017

A Vigilante do Amanhã


A vigilante do amanhã (Ghost in the shell, 2017) é um deleite para os olhos e amantes de ficção científica. Baseado na animação japonesa de Mamoru Oshii de 1995 (que por sua vez foi inspirado no mangá de Masamune Shirow), esta vesão precisou ajustar alguns detalhes para justificar a presença de Scarlett Johansson como a protagonista Major - mas no fim, tudo fez sentido. O visual extravagante do filme futurista é de encher os olhos, e um dos pontos altos do longa.

Já no começo do filme vemos a construção de um corpo humanoide que recebe um cérebro humano recém retirado de uma jovem aparentemente resgatada de um acidente (não fica claro como ela foi parar na mesa de cirurgia). Logo percebemos que a atitude de devolvê-la à vida não é nada nobre: Cutter (Peter Ferdinando), responsável pelo projeto da Hanka Robotic, tem uma conversa nada amigável com a dra. Oulet (Juliette Binoche) e afirma que a jovem deverá ser transformada em uma arma. Após três anos desse procedimento, Mira Killian (Johansson) já é a Major, a primeira híbrida bem sucedida de máquina e humanos (mesmo em um futuro onde é comum que humanos se aperfeiçoem com enxertos mecânicos), a chefe de uma força policial que combate o ciberterrorismo. 

Major (Johansson): uma ciborgue contra o ciberterrorismo
Monitorando a cidade, ela percebe o ataque iminente ao presidente da corporação Hanka (a empresa que criou seu corpo robótico) e aciona sua equipe tática - a Seção 9. Como eles estão longe do local e não chegarão a tempo de impedir o crime, ela decide passar por cima da ordem direta do seu chefe, o senhor Aramaki (Takeshi Kitano, excelente), e agir. Apesar de ter minimizado os danos, Major não conseguiu impedir que o hacker chamado Kuze consiga informações cruciais sobre a Hanka Robotic. Intrigada com a tática brutal e sem saber quais os propósitos nem a identidade real de Kuze, Major e a equipe correm contra o tempo para rastreá-lo e impedir que ele cometa mais crimes. Porém, no intuito de resolver o crime rapidamente, Major age impulsivamente de novo - dessa vez se expondo à Kuze. Após o contato virtual, ela experimenta algumas falhas de comando. O que vem a descobrir depois mudará para sempre sua realidade.

Visual intrigante e bizarro é fascinante
Para além do visual intrigante, o roteiro de Johnathan Herman e Jamie Moss explora a humanidade dos personagens e o dilema moral da tecnologia: até que ponto podemos ir adiante com os avanços tecnológicos sem que isso nos destrua? O dilema interno de Mira, que até aceita o novo corpo com o tempo porém sem nunca conseguir se encaixar em nenhum grupo leva a uma reflexão profunda: seria inevitável que um dia nos tornaremos meio máquina (mesmo que isso não signifique ter partes do corpo mecanizadas)? O diretor Rupert Sanders acerta em cheio ao dar equilibrar drama e ação quase ininterruptas, embora não haja tantas surpresas ou reviravoltas no roteiro - o que, aliás, não é a proposta mesmo. 

A escolha acertada do elenco também ajuda na credibilidade dos personagens - e Scarlett Johansson pode até não ganhar nenhuma indicação a prêmios por essa interpretação, mas com certeza irá silenciar os haters que criticaram sua escolha para a protagonista (eles sempre existem). Confesso que até eu fiquei descrente a princípio, pois mesmo sem ter visto o longa original eu sabia se tratar de uma adaptação de animação japonesa - e a atriz não possui qualquer traço oriental. Mas, para o bem de todos, ela dá conta do recado. O incômodo de estar em um corpo que não lhe pertence fica evidente no trabalho corporal de Johansson.

Aramaki (Kitano): melhor ator em cena
A vigilante do amanhã renova o fôlego de um gênero que vem sofrendo com muitos lançamentos mais preocupados com efeitos especiais mirabolantes do que um roteiro que tenha algo a dizer, e é um alívio ver que a ficção científica sobrevive. Se pensar que o original foi criado nos anos 1990 e está ainda mais atual, volto a ter esperança de que novos bons filmes sobre o gênero ainda estão por vir. Vale a pipoca e o ingresso mais caro do 3D (não perca os lindos efeitos visuais nessa modalidade!).

quinta-feira, 23 de março de 2017

Fragmentado



Fragmentado (Split, 2017) tinha tudo para ser a volta por cima do diretor M. Night Shyamalan, mas ficou de recuperação por um décimo. O tema é bastante intrigante: no corpo de um homem habitam 23 personalidades, totalmente distintas em várias formas. Elas parecem sob controle, mas o que aconteceria se uma resolvesse tomar o controle? Esse é o mote principal, mas alguns detalhes bobos impediram esse bom filme de ser ótimo.

Dennis (McAvoy): uma das muitas - e mais sombrias - personalidades de Kevin
Casey (Anya Taylor-Joy) é uma menina problemática, vive isolada dos colegas de escola, mas acabou sendo convidada para a festa de aniversário de Claire (Haley Lu Richardson) - o que causou estranhamento até em Marcia (Jessica Sula), melhor amiga de Claire. Quando o pai da garota oferece carona para levá-las até em casa, algo estranho acontece. Um homem totalmente desconhecido sequestra as garotas e as leva para um porão super bem cuidado. Temendo pelo pior, as melhores amigas entram em desespero - Casey, porém, usa seus conhecimentos de caça que aprendeu com o pai e o tio para se manter viva. Elas logo descobrirão que Dennis, o sequestrador, é só uma pequena parte do problema.

Paralelo a isso, temos a história do próprio sequestrador e suas múltiplas personalidades. A doutora Karen Fletcher (Betty Buckley, excelente) atende a seu paciente Barry (James McAvoy), uma das muitas personas que vivem em Kevin. Ela parece fascinada com o rapaz, tanto que procura usá-lo como exemplo para suas palestras de Transtorno de Identidade Dissociativo. Por estar ajudando-o há muitos anos, ela percebe que algo não está indo bem. Ela calmamente tenta descobrir o que está acontecendo, tentando evitar o pior - mas talvez já seja tarde demais.

Barry (McAvoy) em consulta com a dra. Fletcher (Buckley): os melhores em cena
É interessante acompanhar o desenrolar da trama, embora o espectador mais atento já saiba o que vai acontecer. Há muitos pontos frágeis nessa produção, embora dois pontos fortes sejam o suficiente para sustentar o longa até o fim. As interpretações inspiradas de Betty Buckley, que fez da doutora uma personagem memorável (uma mistura de deslumbramento e profissionalismo que vai se provar desastrosa) e de James McAvoy, que está espetacular na construção dos personagens - especialmente na transição entre eles - são, com certeza, o ponto alto do longa. As jovens atrizes que formam as vítimas de Kevin são, no máximo, medianas - e isso enfraquece demais. Chega uma hora que a gente até para de torcer para elas se salvarem. Taylor-Joy, que interpreta Casey, é a melhor das três porém fica apenas na média num filme onde as atuações de peso contrastam gritantemente com as mais fracas. 

Casey (Taylo-Joy): atriz tem potencial
O próprio McAvoy acaba exagerando em algumas cenas, mas aí eu culpo diretamente o diretor: é típico dele arrastar a trama para colocar toda a ação no momento de clímax, porém a opção pelo susto gratuito e os clichês de terror não foi a melhor escolha. Há formas mais criativas e emocionantes de se trabalhar o jogo de gato e rato do que fazer o predador correr de um lado para outro de um corredor estilo os desenhos do Scooby-Doo. Até o tema latente do “quem é o verdadeiro monstro?” que chegou a ser rascunhado nas entrelinhas do roteiro pareceu meio banal depois dessa cena. Outro ponto frustrante foram as tão faladas 23 personalidades, mas que nós só conhecemos uma meia dúzia. Ao que tudo indicava, havia ainda mais escondidas - e pelo ator escolhido, a gente tem certeza que daria para os outros aparecerem sem problemas. Aliás, seria esse o motivo delas não aparecerem?

A cena exagerada: não precisava disso pra ser aterrorizante
Para os fãs, há uma aparição surpresa, um easter egg e aquela pegadinha no final - parece até uma cena pós-créditos, só que faz parte do fim do filme - e deixa uma pulga atrás da orelha. Mas ainda assim, o filme será memorável apenas pela atuação de McAvoy. De qualquer forma, é bom ver que o mesmo espírito de suspense de O Sexto Sentido e Sinais está de volta. Quem sabe no próximo ele consiga acertar em cheio.

terça-feira, 14 de março de 2017

A Bela e a Fera


Chegou o esperado dia! A ansiedade corroeu os corações dos aficionados por Disney e fãs de Emma Watson, mas, enfim, a espera acabou. Essa semana estreia nos cinemas a versão live action da animação primorosa dos estúdios Disney (que, aliás, foi a primeira da História a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme - e não de Animação). E o que tenho a dizer sobre o longa? Bem. Apesar de já ter passado alguns dias desde a exibição para a imprensa, eu ainda não sei dizer se gostei do filme ou não. Nem sei dizer se isso é só implicância minha. Portanto, hoje eu resolvi fazer uma resenha diferente: vou analisar caso a caso e ver se descubro o que, de fato, eu senti pelo longa de Bill Condon.

ATENÇÃO: esta análise pode conter alguns spoilers. Se pretende descobrir quais são as mudanças em relação à trama da animação no cinema, esta resenha pode estragar algumas surpresas. ;)


Trama

Esse é um ponto superpositivo do filme. Apesar de ter feito questão de reprisar cenas encantadoras do filme de 1991, não se ateve a isso. O argumento de Stephen Chbosky e Evan Spiliotopoulos abre espaço para homenagear outras versões da história, como a versão de 1947 e o musical da Brodway, além de preencher lacunas que não foram resolvidas anteriormente.

Produção

Bela e funcional, é outro dos maiores trunfos desta versão. Os efeitos visuais beiram a magia, principalmente nos habitantes do castelo da Fera. Figurino, maquiagem, produção de arte estão "padrão Disney" - mas abro exceções. De alguma forma, o vestido de baile da Bela não causa o mesmo impacto que deveria (o efeito oposto ao que aconteceu na versão de Cinderela) e a caracterização do Príncipe Adam (também conhecido por Fera) é estranha. Não causa o encantamento que deveria - ou isso é apenas a minha alta expectativa frustrada falando mais alto.


Música

A clássica "Beauty and the Beast" não poderia jamais deixar de estar presente - mesmo que na versão com Ariana Grande e John Legend. Céline Dion, que interpretou a versão original da música que ganhou o Oscar de Melhor Canção foi homenageada, com outra música inédita (que toca ao fim dos créditos). Várias canções da animação também aparecem, mas de certa forma as músicas novas soam como se funcionassem melhor no palco do que no longa. A nova canção da Fera é linda, mas tem um quê de Les Miserábles que é impossível de ignorar.

Personagens e elenco

Aí a gente tem ir com calma. O elenco estelar conta com nomes de peso como Sir Ian McKellen e Emma Thompson, além de introduzir ao grande público as figuras de Dan Stevens (que fez a série Downtown Abbey e atualmente está em Legion) e Josh Gad (que deu voz ao Olaf, de Frozen - Uma Aventura Congelante). Aqui temos altos e baixos. Vamos aos destaques.

* Bela (Emma Watson)


Eu não quero parecer aquelas pessoas implicantes, mas... Acho que não funcionou tão bem quanto eu esperava. A Bela sempre me pareceu uma moça jovem, com espírito livre, com ânsia de viver mais do que aquela vida camponesa. Emma cria a Bela mais altiva, mais empoderada (100 pontos pra Grifinória!) porém é mais fechada, menos delicada. E era exatamente isso o que me encantava na princesa: ela era a prova viva de que você pode ser delicada, alegre, atenciosa e saber quem você é, o que você merece, quais as suas responsabilidades e o que quer para o seu futuro. Infelizmente, essa Bela ficou a desejar nesse quesito. Outra coisa que me irritou bastante: o auto-tune usado em Emma Watson. Fica bem evidente que houve modificação na voz da atriz, embora eu ache que ela podia ter cantado sem uma afinação perfeita que teria sido lindo do mesmo jeito.

* Fera (Dan Stevens)


Meus problemas com a Fera já começam na maquiagem. Fosse uma maquiagem real, como pelos aplicados diretamente no rosto do ator, então eu entenderia porquê não procuraram criar um visual mais animalesco - há uma limitação física. Mas se é digital, acho que poderiam ter ousado mais. A Fera é para assustar mesmo, é para causar estranheza, fazer a gente questionar a sanidade da Bela por se apaixonar por ele. Mais importante, é para que a única característica humana dele sejam os olhos - é neles que a Bela reconhece o amor que ele sente por ela e então tem certeza de que o príncipe é mesmo a Fera. Mas, dessa vez, eu tenho certeza que é pura implicância minha! Stevens faz um ótimo Fera, bastante intratável e, ao mesmo tempo, delicado - além de arrasar na belíssima nova canção do personagem. O trecho inicial, que conta a história da Fera até receber a maldição, também é bem empolgante. Mas, como par romântico, eu acho que teve o mesmo problema do Evans ao ser escalado como Gaston: ele parece velho demais para Emma Watson.

* Gaston (Luke Evans)


Apesar de eu ter ficado empolgadíssima com a caraterização dele - faltaram apenas os olhos azuis para ele ser idêntico à versão original - Evans ficou caricato (e, cá entre nós, um tanto velho demais para a Bela tão jovem). Uma pena! Mas devo ressaltar que na parte musical, Evans deu um show à parte. A química entre Gaston e LeFou também funcionou, e o personagem realmente mostra as garras (com perdão do trocadilho) nessa versão.

* LeFou (Josh Gad)


Esqueça a polêmica em torno da homossexualidade de LeFou: se você viu a animação antes, você já sabia disso. O que esta versão fez foi explicitar isso, mas não acontece nada de escandaloso que possa alarmar os pais mais conservadores. Valendo-se da hilaridade do personagem, a subtrama passa leve e não altera em nada os acontecimentos. O personagem, aliás, ganha ainda mais camadas: se antes ele só massageava o ego de Gaston; agora ele tem consciência dos seus atos e ganha um final explicado (anteriormente, ele apenas sumia de cena).

* Maurice (Kevin Kline)


Uma grata surpresa. Maurice não é o fofo e atrapalhado inventor de geringonças, mas é um homem doce e adorável, um viúvo que carrega um amor incondicional pela esposa e pela única filha. Essa delicada combinação é lindamente por Kline, que encontra o tom certo entre drama e comédia. A história do pai da Bela se aproxima mais das outras versões, onde ele causa a fúria da Fera por roubar uma rosa de seu jardim. Essa versão da história dele me agrada mais, devo admitir.

* Lumiére (Ewan McGregor)


Simplesmente hilário, mesmo que McGregor tenha penado um bocado para fazer sotaque francês - mas o fez com maestria. As implicâncias com Horloge (McKellen) e sua paixão por Plumete (Gugu Mbatha-Raw) são divertidíssimas, mas ele arrasa mesmo quando canta. Acho que todos lembram de Moulin Rouge e o quanto ele é bom em musicais, não é? Pois o sucesso é garantido aqui também.

Por tudo isso que descrevi, das emoções que tive ao ver esse longa e ter revivido as outras experiências que já tive com o clássico conto infantil, A Bela e a Fera é um bom longa: emocionante e divertido, profundo. Só o tempo dirá se vou amá-la tanto quanto a animação original - quem sabe eu só precise deixar de reparar na aparência e descobrir o que há de bom na alma desse filme? ;)

quinta-feira, 9 de março de 2017

Kong: A Ilha da Caveira


Posso dizer que Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island, 2017) é surpreendente: apesar de algumas falhas e uma certa previsibilidade, a história veio bem amarradinha num roteiro enxuto; e toda a ação foi bem azeitada com a ajuda de uma fotografia excelente e um elenco estelar que deu conta do recado. A sequência inicial, situando a gente no tempo e no clima pós-guerra, já dá o tom do que virá a seguir. Com boas cenas de ação (principalmente quando o Kong se apresenta para o público), o longa de Jordan Vogt-Roberts tem tudo para ser um sucesso como reboot da franquia King Kong.

Tenente Packard (Jackson): o retrato do orgulho ferido
Logo que anunciam a retirada dos EUA na Guerra do Vietnã, o cientista Bill Randa (John Goodman) e seu assistente Houston Brooks (Corey Hawkings), ambos membros da pouco explorada agência governamental Monarch, correm contra o tempo afim de obter aprovação para uma expedição inusitada. A Ilha da Caveira é um território não mapeado que eles pretendem investigar, mas não o podem fazer sem a ajuda do governo. Obtida a autorização e apoio militar, eles partem para a expedição. Para tanto, vão precisar da ajuda de James Conrad (Tom Hiddlestone), um ex-capitão do exército britânico que tem bastante experiência em combate. A fotojornalista Mason Weaver (Brie Larson) consegue uma autorização para acompanhar a equipe, que ainda conta com a bióloga San Lin (Jing Tian) e um grupo de soldados - liderados pelo Tenente Packard (Samuel L. Jackson) - prestes a abandonar o Vietnã e voltar para casa.

A Ilha da Caveira não é para os fracos
Um grupo heterogêneo e com diversas motivações distintas acaba por conseguir entrar na quase impenetrável Ilha da Caveira, e lá descobrem mais do que estavam preparados para ver. Bom, pelo menos alguns deles. Ao se depararem com Kong - na verdade, serem quase dizimados por ele - o grupo acaba se separando. Com um prazo de apenas três dias para conseguir se reunirem novamente e chegarem ao ponto de resgate combinado, vão enfrentar perigos inesperados.

Kong está ainda mais impressionante

Esta é uma nova história do Kong, que busca explicar a mitologia dele e ampliar o universo (como sugere a cena pós-créditos). Não é absolutamente original em seu argumento, mas é bastante plausível: encaixa no espaço e no tempo onde surgiu o Kong, e mesmo com alguns exageros de CGI (às vezes imagino os produtores e criadores feito crianças com um brinquedo novo, viajando com as possibilidades mirabolantes que agora podem fazer), traz um resultado empolgante e bacana. Maior, mais jovem e mais forte, Kong nunca pareceu tão humano - mais humano até que alguns homens que foram invadir seu território. Esse questionamento de “quem é o verdadeiro monstro” é o cerne do mito Kong, e veio atualizado nesse roteiro - mesmo que toda a ação ainda se passe na década de 1970.

Reilly rouba a cena como Hank Marlow
Falando do mito, há muita homenagem ao rei da selva. A mocinha vivida por Larson não é a musa típica do Kong, embora não tenha tanta função na equipe de expedição - principalmente porque o discurso para colocá-la no navio junto com o grupo foi bastante contundente, mas a personagem perde a força durante o longa. Ainda estão lá o explorador obcecado pela fera e o aventureiro que compreende tarde demais que não era para mexer com quem estava quieto. Costurando homenagem e dando início a uma nova era Kong, A Ilha da Caveira se firma como um bom entretenimento. Credito o mérito maior ao elenco - com destaque para o paranoico Packard interpretado por Samuel L. Jackson e o sobrevivente de guerra Hank Marlow, pequena e maravilhosa participação de John C. Reilly. Vale a pipoca e a continuação.