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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Star Trek - Sem fronteiras

Star Trek - Sem Fronteiras (Star Trek Beyond, 2016) tem tudo para agradar a fãs da série - dos mais novos aos mais antigos - e para ser uma das maiores bilheterias do ano. Efeitos especiais incríveis, trilha sonora excelente, elenco afinado e um roteiro convincente fazem de Star Trek - Sem fronteiras um filme emocionante (por vários motivos) e empolgante. Começando pouco depois do último filme (Star Trek - Além da escuridão, 2013 - o filme mais fraco dessa trilogia, até agora), o longa demonstra que a nova franquia ainda tem muito fôlego para continuar.


A missão de reconhecimento da Enterprise já está em seu segundo ano da missão de cinco, e, com poucas pausas para descanso, todos os tripulantes começam a sofrer. Capitão Kirk (Chris Pine) percebe os efeitos em si e em seus amigos, e começa a planejar sua saída do comando da nave em breve. Spock (Zachary Quinto) e a tenente Uhura (Zoe Saldanha) também sentem os efeitos de passarem tanto tempo juntos, assim como Hikaru Sulu (John Cho) percebe o sacrifício que é estar longe de sua família. Com tantas insatisfações juntas, os tripulantes não perceberam que tinham em mãos algo muito precioso.

Em sua última visita a um planeta recém-mapeado, Kirk obteve um objeto raro e tentou conciliar a paz entre duas espécies. A negociação não deu muito certo, e o objeto fora armazenado. Durante a pausa para reabastecimento e breve descanso, um chamado urgente de socorro leva Kirk a recrutar todos de volta à Enterprise: uma nave fora atacada em uma nebulosa não-mapeada e a capitã precisa de ajuda para resgatar os sobreviventes do ataque.

Sem demora, eles resolvem ajudar. Só não esperavam ser atacados com tamanha violência e eficácia. Com a nave seriamente danificada, eles descobrem ter sido pegos em uma emboscada: o objeto inofensivo que Kirk tentou negociar era exatamente o que Krall (Idris Elba) precisava para completar seu plano.

Sem ter como impedir o roubo do objeto, mal conseguindo salvar a própria pele, Kirk vê a sua amada nave cair por terra completamente destruída e sua tripulação ser capturada. Com alguns poucos membros ainda livres, como os engenheiros Scotty (Simon Pegg, que também assina o roteiro) e Checov (Anton Yelchin, morto esse ano em um bizarro acidente), Spock e Magro (Karl Urban), Kirk tenta encontrar um jeito de reunir o grupo e pedir reforços da Federação. Contando com a ajuda de Jaylah (Sofia Boutela), outra alienígena que também tenta desesperadamente fugir daquele planeta e do vilão Krall, Kirk e companhia descobrirão que os planos para o uso do artefato são ainda mais sombrios do que eles poderiam imaginavar.

O que mais gostei nesse novo Star Trek foi perceber como esse filme foi pensado e produzido com carinho. Fica evidente que roteiristas, atores, produtores, todos trabalharam em conjunto para fazer esse filme dar certo (uma coisa rara de se ver, como ficou evidente em alguns dos filmes de heróis mais recentes). Com um roteiro coeso, cheio de referências emocionantes ao passado da série original e com links para o futuro da saga nos cinemas, o longa acerta em cheio ao confirmar a boa química do trio principal (Kirk-Pine, Spock-Quinto e Magro-Urban) e combinar ação e emoção em doses iguais.

O que vemos na tela é algo bastante atual, com o apelo visual que só as modernas técnicas de efeitos são capazes de criar, com bastante ritmo e respiros cômicos realmente divertidos e muito bem pontuados. Novos personagens são introduzidos e homenagens são prestadas aos membros da tripulação que partiram dessa vida aqui, do lado de fora das telonas. A polêmica em torno do personagem Sulu ser gay cai por terra: a breve menção ao assunto é sutil, delicada, cuidadosa e, ao mesmo tempo, impactante - justamente por não interferir em absolutamente nada no produto final.

O filme agrada a quem curte o gênero sci-fi, mas também entretém quem está afim de um bom passatempo. Existem questões mais profundas a serem comentadas depois do filme acabar, o que também é uma boa sacada (afinal, quem nunca se sentiu esgotado com o ritmo de trabalho, mesmo fazendo o que ama, ou se perguntou se estava fazendo a escolha certa?). A sensação que eu tive ao subirem os créditos foi a de que eu passei o tempo todo com um sorriso no rosto, uma nostalgia gostosa de ver e compreender o carinho com que fizeram esse filme - e olha que conheço bem pouco do universo trekker! O longa tem um "jeitão" saudosista, como se buscasse voltar às raízes, mas o resultado final é superior: moderno, ousado, divertido.

Se a série começou com certas dúvidas se agradaria ao público e aos fãs mais ferrenhos (e talvez tenha precisado de um vilão de peso no segundo longa para se estabilizar), a partir deste Sem fronteiras se prova como uma franquia vitoriosa: seguindo pelo caminho trilhado, da delicadeza em abordar temas polêmicos, do respeito à saga original e aos fãs, do roteiro bem estruturado, dos efeitos especiais magníficos e sem excessos, não há fronteiras para o futuro e o sucesso.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Não é sempre que temos um filme como este!!!

Desenhos existem no mundo real. Dito isto, o grande magnata da animação é assassinado e o principal suspeito é o comediante Roger Rabbit. O coelho animado afirma, armara uma cilada para ele. E implora para que Eddie Valiant Investigue seu caso. Mas, o detetive perdeu o interesse em casos envolvendo desenhos desde que seu irmão foi assassinado por um.

Não fosse pela frase inicial deste texto é provável que ao ler a sinopse acima você não se desse conta de que Uma Cilada para Roger Rabbit é um filme com personagens animados. E como a maioria dos longas desse tipo, é confundido por um filme para crianças. Não é! Ou melhor, também é.

A criançada com certeza vai adorar a ideia dos desenhos no mundo real, e a comicidade natural deles. Entretanto sua trama deve e será apreciado pelas mentes adultas. Afinal é um filme de detetive, com assassinato, bode expiatório, supervilões, uma garota muito bonita (não é culpa dela, ela só foi desenhada assim...), e tudo que um bom mistério pode proporcionar. Ah! E também é uma comédia dos anos de 1988, logo tudo é abordado com muito bom humor e a violência é cartunesca, e ainda sem os pudores exagerados do politicamente correto.

Tenho certeza!
É assim mesmo que os desenhos são "filmados"
Não bastasse ser um filme com um ótimo roteiro, e bem desenvolvido Uma Cilada para Roger Rabbit é inigualável. Não era a primeira vez que humanos e desenhos contracenavam, mas esta foi a primeira vez que acreditamos que os personagens de traço e tinta estavam de fato em frente as câmeras. A qualidade da técnica que une live-action e animação é excelente e sobreviveu ao tempo. Mesmo assistido hoje deixa muito filme atual, repleto do mais caro CGI, parecendo trabalho amador.

É claro! As ótimas atuações do elenco liderado por Bob Hoskins (Eddie Valiant), Charles Fleischer (voz de Roger Rabbit) e Christopher Lloyd (Juiz Doom), são peças chaves no sucesso da empreitada. Esta tem a produção de Steven Spielberg e direção de Robert Zemeckis.

Achou pouco? Spielberg pôs seus contatos para trabalhar e conseguiu os direitos dos personagens de diferentes estúdios para participações especiais. Assim podemos ver Pato Donald e Patolino duelando no piano, Mickey e Pernalonga saltando de para-quedas, e ver interação de desenhos de diferentes épocas como a Betty Boop, ainda em preto e branco. Todos em potas de luxo, já que as animações principais do filme Roger, sua esposa Jessica, o bebê Herman e o Táxi Benny são personagens criados para o longa.

Bom roteiro, produção impecável, efeitos especiais que resiste ao tempo e seus personagens favoritos. Um filme assim não aparece sempre!
Tem tantos personagens aí, que você nem conhece a metade. Conhece?

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

De primeira classe

X-Men - Primeira Classe (X-Men - First Class, 2011) é um filme ótimo. O melhor dos mutantes, até agora. Que venham os mimimis dos fãs da HQ e as revoltas dos puristas que odeiam adaptações. Os mutantes aqui apresentados não são os da primeira formação, e muitos mutantes mais legais ficaram de fora dessa escalação. Mas o filme é bom, funciona como um entretenimento inteligente e uma ótima introdução aos mutantes para quem é absolutamente leigo no assunto - melhor que o primeiro X-men, em que tudo foi muito apressado. 

Na década de 1970 conhecemos um jovem brilhante, que defende a teoria da evolução das espécies através da mutação genética. O que ninguém sabe é que ele é um mutante, e seu poder telepático ainda em desenvolvimento é muitas vezes utilizado para conquistar garotas em bares. Sim, caros leitores, estou falando de Charles Xavier (James McAvoy, cada vez melhor), que futuramente será conhecido como o professor Xavier. Quando a agente Moira (Rose Byrne) testemunha um encontro muitíssimo suspeito entre um senador e um grupo de mutantes, ela decide buscar ajuda. Recruta o especialista em mutação genética Xavier para orientá-la. O que eles não sabiam é que havia um outro jovem que também sofria de mutação genética, que estava atrás de vingança. Eric Lansher (Michael Fassbender, #SenhorMultiplica) tem poderes magnéticos e consegue manipular metal - já descobriu quem ele vai se tornar, não é? - e está atrás do homem que lhe arruinou a vida: quando ainda criança, nos campos de concentração, um tenebroso Shaw (Kevin Bacon, em boa atuação) o forçou a testar seus limites e assassinou sua mãe na sua frente, traumatizando para sempre o garoto. Agora que estava adulto, e conseguia dominar seu dom, decidiu caçá-lo. O que ninguém sabia era que Shaw era um mutante, e havia se associado a outros poderosos companheiros a fim de conquistar mais poder político.

Os planos de Shaw incluíam uma guerra nuclear - e estávamos em época de Guerra Fria, não se esqueça - onde ele poderia absorver toda aquela energia e tornar-se ainda mais poderoso, além de eliminar a maioria dos humanos ralé. Eric, Xavier e Moira unem forças para evitar que a tragédia se concretize, mas tem que enfrentar a má vontade das autoridades e a descrença de todos. Reúnem na antiga casa de Xavier, uma mansão enorme e elaborada como um refúgio fortemente guardado, alguns dos jovens mutantes mais talentosos que puderam recrutar: Mística (Jennifer Lawrence, incrível a naturalidade dessa mulher), Fera (Nicholas Holt, o Markus de "Um grande garoto"), Banshee (Caleb Landry Jones), Destrutor (Lucas Till) para tentar acabar com os planos malignos de Shaw.

O é que é o mais legal desse filme é que nenhum dos mutantes é uma unanimidade. Nenhum deles conhece completamente seu potencial - nem mesmo Xavier, nem mesmo Shaw (que parece ser o mais experiente de todos no contexto). Todos estão se descobrindo, e é legal a gente perceber que os mutantes também são "gente como a gente", cheios de indecisões, insegurança, mas com uma vontade enorme de viver. Lidar com as transformações do corpo são tão complicadas para jovens adolescentes normais quanto para mutantes, e isso fica bem claro. O filme tem um ritmo constante que cativa, leva você a acompanhar o desenrolar da trama quase sem sentir - ao chegar no desfecho, entendemos tudinho o que aconteceu. Tem algumas falhas? Sim, principalmente no excesso de personagens secundários - mas isso é um problema bem maior nos quadrinhos onde foi inspirado, então até que não faz tanta diferença assim aqui no filme. Mas os atores escolhidos foram certeiros na composição de seus personagens, tanto mocinhos quanto vilões - e futuros vilões. Efeitos especiais incríveis e uma direção constante, interpretações seguras e um roteiro redondo, personagens cativantes e um universo maravilhoso a ser explorado. Primeira Classe pode não ter mostrado nossos heróis da forma que a gente queria ver, mas nos deixa muito mais empolgados e esperançosos de que os próximos filmes serão bem melhores do que esse - o que não é pouca coisa.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A coisa agora ficou séria...


Depois do crash course, agora é hora de aprofundar um pouquinho o conhecimento nos personagens. Focado bastante no passado do personagem de Wolverine (Hugh Jackman, arrasando novamente), X-Men 2 (X2, 2003) apresenta novos mutantes e uma ameaça dentro de casa.

Desde que os mutantes foram descobertos, os humanos tem que enfrentar um dilema: o que fazer com eles? Domá-los? Exterminá-los? Controlá-los? Esquecê-los? Adotá-los? Um cientista militar, William Stryker (Brian Cox) parece decidido: usar os poderes mutantes como arma, e quanto aos que forem inúteis ou possíveis ameaças, que sejam exterminados. Um homem prático, não? Depois que o presidente americano sofre um atentado por um mutante teleportador, obviamente que ele fica mais suscetível a ouvir o que Stryker tem a dizer. A população também fica mais favorável ao controle dos mutantes, ainda apavorada com os últimos incidentes. Começa, então uma caçada aos mutantes - e eles tem que se virar para lutar pelo seu direito de viver. E cada um vai lutar como pode.

Magneto (Sir Ian McKellen) ainda está sob custódia do governo em sua prisão de plástico e é utilizado por Stryker para obter informações sobre mutantes. Ele usa um misterioso soro que faz com que os mutantes sob seu efeito obedeçam cegamente aos seus planos, mas os pupilos de Xavier (Sir Patrick Stewart) não estão dispostos a deixar que ele se saia bem na empreitada, afinal aprenderam que nenhuma raça é superior à outra.

A alegoria da temática mutante como um retrato da humanidade nunca esteve maistual mas o filme em si é tão fraco aue nem isso se destaca. É meio frustrante ver personagens queridos tão subaproveitados e até caricaturados (exceções para os excelentes trabalhos e comstruções de Jackman, McKellen e Stewart). Para ser bem sincera, só assisti a esse filme porque era continuação do primeiro e eu esperava que se superasse e talvez até surpreendesse. Mas nada disso acontece. Então, o que resta é ver e aproveitar as cenas de ação, as atuações do trio supracitado e saborear umas pipocas. Diversão passageira e esquecível. Ainda bem que rendeu billheteria e a franquia pode continuar e evoluir!

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016) é o típico filme em que o trailer engana: promete muito e entrega pouco. Faço parte do time que não havia ouvido falar sobre o grupo de supervilões, então garanto que o filme não veio aqui para explicar nada. Para quem já conhecia o grupo das hqs, talvez faça mais sentido. Mas, ainda assim, o filme desaponta.


Em uma introdução apressada, apesar de bastante estilosa, conhecemos todos os integrantes do grupo formado por Amanda Waller (Viola Davis, divinérrima). Ela tem todas as informações sobre os vilões - e deixa a entender que tem informações sobre todo mundo mesmo - e aparece em um jantar com representantes do exército afim de convencê-los a usar o seleto grupo como uma arma. Afinal Superman foi um presente divino: e se ele fosse um "terrorista" e quisesse tomar a Casa Branca? A quem eles iriam a recorrer? Em quem eles iriam botar a culpa?

Demonstrando seu invejável poder de persuasão, Waller consegue convencê-los de que sua ideia é boa ao demonstrar controle sobre Magia (Cara Delavigne). Ela é uma entidade ancestral que habita a Terra há muito tempo e que se apossou do corpo da arqueóloga June Moone. Waller prova que tem controle sobre o coração de Magia/Moone (há um trocadilho aqui, viu?) e então consegue a liberação pra montar uma força tarefa supersecreta, que só entrará em ação quando um caso muito grave acontecer.


O que ninguém esperava era que eles fossem entrar em ação tão cedo. Magia consegue se libertar do frágil controle de June e acorda seu irmão, outra entidade superpoderosa. Revoltada com a forma como os humanos a tratam e a aprisionam, como eles pararam de venerá-los como deuses, Magia pretende criar uma máquina que elimine os humanos ingratos e que retome o poder para si e seu irmão. Ante tamanha ameaça, é hora de o Esquadrão Suicida salvar o mundo.

Escrito assim, parece até empolgante. Mas a dura verdade é que Esquadrão Suicida parece um conjunto de cenas de ação mal coreografadas e editadas de qualquer jeito, como se fosse uma versão não finalizada do longa. Os personagens são introduzidos de forma superficial e logo são jogados no front. Não há tempo para se criarem laços de amizade/amor/ódio/rivalidade, por isso soa tão inconcebível a aliança. A ação inicial já é a principal, e o clímax é um festival de clichês e soluções apressadas que deixa tudo muito morno.


Aliás, nenhum dos vilões-heróis parece ser realmente capaz de combater uma "ameaça Superman" - ao menos da forma como foi apresentado, já que essa foi a desculpa usada para reunir os talentos deles. Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) aparece para uma piada e para justificar o CGI; Bumerangue (Jai Courtney) não diz a que veio; Katana (Karen Fukuhara) sofre com o subaproveitamento de sua magnífica arma e pelo excesso de grandes vilões no grupo, El Diablo (Jay Hernandez) poderia ser muito mais terrível e impressionante do que só a aparência bizarra de seu intérprete.


Mas o mais confuso de tudo são os relacionamentos amorosos. O casal June Moone e Rick Flag (Joel Kinnaman, o novo Robocop) tem muita história para ser explorada, porém quase nada vem à tona e o que é mostrado torna-se um dramalhão mexicano. Talvez tenha sido a solução para não tirar o foco do principal e mais badalado (e controverso) casal Arlequina (Margot Robbie) e Coringa (Jared Leto). E, bem, eles são um caso à parte. Robbie constrói uma Arlequina adorável, e algumas das cenas mais divertidas são com ela. Porém o timing da personagem está completamente comprometido pela edição, que não valoriza as muitas cenas de luta nem as melhores tiradas dos personagens.

Já o caso do Coringa é um pouco diferente. Preocupado em distanciar e criar uma nova vida para este personagem depois da maravilhosa versão de Heath Ledger, Leto criou um palhaço gângster (alguns fãs me garantiram que essa é uma versão mais aproximada da personalidade dele dos quadrinhos) cheio de cacoetes e olhares arregalados. Desnecessário ser tão careteiro. O jogo psicológico do Coringa é muito mais cruel se feito com a sutileza de uma ameaça velada ou numa jura de amor falsa. É assim que ele manipula e desconstrói a doutora Harley Quinn. E, não, ele não a ama - no máximo, gosta dela rastejando aos pés dele. E esse é o maior erro. O enfoque no relacionamento romântico dos dois é equivocado e, além do mais, tira a atenção do restante do filme. A sensação no fim é a de que quiseram misturar dois filmes em um: o do Esquadrão Suicida e o do "casal" Coringa e Arlequina, de tão deslocados que estão no contexto. Em miúdos, não deu certo.


São muitos os furos no roteiro, muitos personagens subaproveitados, muitos tiros a la Rambo e pouco efeito dramático, muitos clichês e coisas ridículas (sim, eu falo da Magia endeusada, que precisa rebolar - literalmente - para lançar feitiços e explicar o plano maligno). À excessão de Viola Davis, Joel Kinnaman e Margot Robbie, todo o resto do elenco deixa a desejar em algum momento. Will Smith, apesar de dar seu recado como Pistoleiro, aparece como um protagonista herói em meio a um grupo de vilões, sendo até mais presente na liderança do grupo do que o verdadeiro mocinho, Joel Kinnaman (Rick Flag). Fica a sensação de que ele não se conformou em não ser o centro das atenções e quis que seu personagem se sobressaísse aos demais. Não deu pra entender.

Muito mais erros que acertos, uma decepção para quem esperou tanto pelo resultado final. É preciso que os estúdios entendam que não são só cenas intermináveis de ação, uma musa badass, caríssimos efeitos especiais e algumas piadas aleatórias que fazem um bom filme de super-herói. O trailler, com Queen de trilha sonora, em seus poucos minutos consegue ser mais empolgante e interessante que a versão final.

Ah!, aguardem os créditos finais. A cena é curta, mas vale a pena.